segunda-feira, 7 de março de 2011

Do relógio ao tempo


Olho o relógio a minha frente e fico meio estressado, pois os ponteiros parecem estar
paralisados.
As paredes do escritório me parecem grades de uma cela, uma prisão, porém eu sei que
logo sairei dela, isso me anima.
Ouvindo uma boa música ao melhor estilo verão, praiana, executada pela rádio Itapema, de
Porto Alegre, ao fundo, Bob Marley canta. E eu, em imaginação, viajando aos montes por
uma ilha habitada somente por nós dois.
Sinto de leve a areia sob meus pés descalços, a canga que cobre o seu biquíni me deixa
extremamente envolvido e me faz, cada vez mais, imaginar que estou à beira mar.
Sua pele dourada, com definidas marcas deixada pelo sol, num formato perfeito de seu
discreto biquíni, envolvente biquíni. Alucinógeno, biquíni. Me deixa extasiado e de repente,
minha loucura fictícia fica cada vez mais real. Posso sentir o seu cheiro aqui perto,
suspirando e esticando os braços um pouco, sinto seu corpo.
Até ouço você me dizendo coisas suaves junto ao ouvido, sussurrando palavras doces e me
pedindo carinho.
Um creme por todo o corpo começa a ser combustível para uma noite que apenas, parece
ter inicio. Ainda em sonho, saindo da praia e indo direto para minha casa.
Destilando os corpos em total efusão de prazer, fazendo com que gemidos e elogios saiam
naturalmente nas trocas de carícias, deixando as roupas de cama passear pela casa, pois já
não há espaço para tais sobre a cama.
E o quarto, que mais parece um vulcão adormecido prestes a entrar em atividade, fica
incumbido de ser a única testemunha deste desfecho amoroso, as luzes que se apagam
fazendo com que as estrelas e a bela lua cheia tornem-se evidentes e por sua vez, inspiração
para esta noite, só nos resta então, aproveitar como se esta fosse, a última de nossas vidas.
Estava tão empolgado com o que iria fazer após o trabalho que entrei em um sonho, mesmo
acordado, agora já está na hora de ir embora e poder fazer tudo o que já descrevi, pois ainda
há uma noite inteira pela frente.
E mesmo o tempo sendo longo, ele nunca para, se ficarmos fixados e presos a simbologia
do tempo, o relógio, ou até mesmo um calendário, estaremos perdendo tempo.
Um tempo em que poderíamos estar produzindo, criando algo que efetivamente nos traga
prazer.
O fato de antecipar as coisas que certamente irão acontecer, pode nos render frustrações e
dores que poderiam ser evitadas, certo que a ansiedade e o impulso nos remetem a um
mundo de questões as quais esperamos respostas óbvias e, mesmo assim não as
encontramos, faz com que a conclusão clara, seja.
O valor que o meu tempo tem, não é o mesmo que o seu, mas o valor que o tempo cobra
para vivermos e aproveitarmos as oportunidades, este valor é único.
E o preço que todos nós pagaremos é o de não mais ter este tempo de volta, então, se for
sonhar; imaginar uma situação, ou até mesmo querer algo. Vá atrás, pois o tempo não irá
parar e esperar que você se decida.
Fui. Já deu a minha hora...

@JuniorDihl

Nenhum comentário:

Postar um comentário