terça-feira, 25 de outubro de 2011

Outrora


Espero a estrela que não brilha e a lua que não vem, mas recebo a chuva, com sua acidez que resseca a pele e infla o coração, pois faz lembrar um tempo feliz.

Daquele tempo.

Uma tarde simples, em meio às flores lindas num parque deserto, tão deserto que parecia reservado a nós dois. No parque as flores, árvores, animais e sensação de paz, se rendem ao escuro castanho dos seus olhos, olhos que dizem, escancaradamente, me amar. E quando se lê o olhar de uma pessoa, lê-se também sua alma, neste momento sua alma dizia ser gêmea a minha.
O beijo celebrava todo o enredo e cenário que havia à nossa volta. Enredo por que, de fato, vivíamos a mais bela história de amor, o momento mais sincero de nossas vidas. E cenário por tudo que já relatei – Inclui-se no cenário, também o olhar – as mãos dadas simbolizavam a cumplicidade e ao mesmo tempo o medo de perder, de não deixar escapar.
Jamais poderia imaginar que a natureza, naquele momento, conspiraria para nos separar, pois a chuva que caiu fez com que soltássemos as mãos e procurássemos abrigo por ali mesmo. Qual a minha reação ao ver que o forte que ela encontrou foi o lugar onde ela sentia-se segura? Tamanha a minha alegria, pois era nos meus braços.
Hoje este forte não passa de lembranças, ruínas que vez em quando clama por uma visita, mas sofre calado por não ter. Os caminhos seguem paralelos, portanto não se cruzam; o que faz com que minha dor se mantenha estagnada por não mais vê-la, às vezes esqueço muitas coisas, é quando vem uma chuva como a de hoje e faz que a nostálgica lembrança aperte o peito novamente. E assim trazendo aquele olhar que por muito tempo enxerguei em frente ao espelho.