domingo, 6 de novembro de 2011

Alitéia


Tua beleza é infinita, minha linda. Tanto que um espelho não mais será, apenas um espelho, após te refletir. A reprodução fiel da tua imagem no vidro sobre o aço é que faz disparar o inconsciente alheio, que se confunde na incerteza de qual imagem é mais linda, se tua face ou tua reprodução ótica. O instigante é que a ótica me traduz o amor.

Asseguro-lhe que o amor não é cego, do contrário, ele ouve, vê e possui maneiras mil de expressar suas sensações. O amor finge ser um e é outro, finge ser amigo, finge ser inimigo, muitas vezes faz passar-se por seu irmão gêmeo, o ódio. Por isso são extremos paralelos, erroneamente chamados de opostos. A prova disso é que um não atrai o outro, física simples, um se fará presente enquanto o outro adormece, jamais ocuparão o mesmo espaço.


Sendo o amor, então, seguro de si, ele sempre lhe será familiar, pois trará na sua essência a pureza e a verdade que logo encontramos em seu nome, bela Alitéia. Ou seja, verdade absoluta, dogmática, originária da linguagem grega, alétheia. O rosto esculpido em detalhes, traçado cuidadosamente à matriz da perfeição, obra divina que se desprendeu da parede e hoje carrega junto a si, o coração deste poeta. 

Quando molha o rosto e a água desliza sobre a maquiagem, fazendo com que estenda a tintura e assim formando um borrão, nos remete a sensação de realmente estar vendo uma obra de arte, que por muitas vezes é borrada por seu criador, antes de pronta.

Fecho os olhos e não apenas te vejo, mas te sinto junto a mim, na irrealidade de um sonho, ou até mesmo na suposta convicção de ouvir constantemente sua voz, ouvir incansavelmente sua voz entoar frases de amor, direcionadas a mim. 


Um beijo, um carinho, os olhos fechados para conduzir um beijo, beijo que não precisa ser longo ou curto, que não precisa ser molhado ou moderado, que não precisa ser concedido ou roubado, um beijo que fuja de qualificações fúteis. Que possamos fechar os olhos e não pensar em nada, nem ninguém, mas que dure o tempo necessário para aguçar a libido e novamente ferver os lábios na vontade de refrescá-los com outros beijos. 

Então feche os olhos, minha bela, feche os olhos e sinta o amor nos lábios.

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