quarta-feira, 11 de abril de 2012

Ainda sonho

Ainda sonho com aquela casa à beira mar, onde o único obstáculo entre mim e a água seja a areia, sonho que a cidade inteira venha depois desta casa, sonho em acordar numa bela manhã e ao abrir os olhos ver a imensidão de um mar agitado, de um mar calmo, de um mar brotando turistas, de um mar vazio, de um mar agradável, de um mar frio, de um mar com pescadores, de um mar com surfistas. Ainda sonho. Ainda sonho com aquele sobrado na serra, com a lareira acesa em dias e noites frias, com o livro e o vinho ao lado, com meu amor e os filhos brincando, encantados com os quase-flocos de neve que vez e outra caem, com as roupas aconchegantes, com os chocolates em barras, ou líquido, com a gastronomia diferenciada, com a limpeza e organização de uma cidade. Ainda sonho. Ainda sonho com minha casa atual, com meus cachorros, gatos, com meus vizinhos, que - diga-se - não os trocaria por outros, com a comodidade entre a distância das coisas que preciso para que meu dia-a-dia seja pleno de alegria, com meu emprego atual, com a má fase em que se encontra meu time de futebol, sonho com as reuniões que faço junto a meus amigos, sonho com meu violão, com os amores antigos, com os novos amores (ou com novas maneiras de fortalecer o mesmo amor). Ainda sonho. Ainda sonho e tenho esperança de que os sonhos possam se realizar. Sonho com meu passado, com as coisas que deixei de fazer e por quais me arrependi, com as coisas que fiz e ainda me arrependo, sonho com meu filho ainda pequeno, lembro dos sonhos que tinha na infância, e quer saber? Não eram muito diferentes dos que tenho hoje. Com a ressalva de que muitos foram realizados, sigo a sonhar, pois ainda sonho com aquela casa à beira mar, onde o único obstáculo entre mim e a água seja a areia. Com a lareira acesa em dias e noites frias, com o livro e o vinho ao lado, naquele sobrado na serra. Ainda sonho.