terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A última visita

“Receberei hoje minha última visita, mesmo sem saber de quem, mesmo sem saber a que horas, sabendo apenas que será a última.” Disse ela, em um tom sarcástico, com a voz surrada e cansada. Eu, que estava no leito ao lado, interpretei esse desabafo da pior maneira possível, como uma despedida sem voltas. Ao lado da cama, sobre um criado mudo, uma garrafa de água e algumas frutas. Da janela do quarto vinham os mais insuportáveis ruídos de uma cidade que não dorme. Eis que a porta se abre e sua última visita chega. Por sorte, era seu filho mais velho trazendo a notícia de que haviam encontrado um doador de medula compatível. Logo, essa última visita tornou-se a primeira de muitas. Hoje estou sozinha no mesmo quarto, olhando pela barulhenta janela e esperando também, quem sabe, a minha última visita. Pois que chegue, estou aguardando de braços abertos.

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