sábado, 5 de outubro de 2013

Clichês do Calendário

Com a chegada do mês de outubro algumas pessoas se assustam e outras se empolgam com a proximidade do final do ano, isso também acontece com outros meses, sempre seguido do jargão “este mês passou rápido”. Outubro é ainda mais clichê, pois parece que muita gente espera o ano inteiro para a sua chegada e assim poderem publicar nas redes a poética frase “outubro ou nada”.

Certamente já ouvimos um amigo, em pleno início de janeiro, proferir: “Falta muito para dezembro?” E quem nunca brincou dizendo que pagaria uma conta, ou faria alguma atividade indesejada, somente no próximo dia trinta e um de fevereiro? E em março, que ainda tem gente questionando se um determinado evento acontecerá no “horário velho” ou no “horário novo”, relacionando isso ao horário de verão.

         Abril já se apresenta com o dia da mentira ou dia dos bobos, para a alegria de muitos e tristeza de tantos outros: “primeiro de abril, passou e tu não viu”. Maio chega com propagandas, ofertas e fervendo o comércio para o dia das mães. Junho “dá as caras” com sotaque caipira e bandeirinhas espalhadas por todos os lados, além de criar inúmeros poetas inspirados pelo dia doze. As festas juninas transformam-se agora em julhinas, e com julho vêm os comentários “é, já se foi meio ano” e “daqui a pouco é natal”.

      Agosto, o “mês do cachorro louco” - pobre animal - ou “agosto, o mês do desgosto”. O oitavo mês do ano tem a incumbência de abrir caminho para setembro, que na primeira semana aflora o patriotismo de muitas pessoas com o desfile cívico. Para os gaúchos é o mês mais importante do ano, já que no dia vinte revivem o sentimento da revolução farroupilha. Setembro ainda trás boas notícias com a chegada da primavera, mas na primeira frente fria aparece o clichê: “o inverno já não acabou?”.

      Novamente estamos em outubro, e que venha com seus clichês, com suas surpresas, com a alegria do mês das crianças, onde todo adulto reclama por não receber presente. Que venha também novembro, dezembro, 2014, 2015 e todos com seus chavões, suas frases prontas, seus jargões ultrapassados. Que venham as alegrias de rir do que um dia foi engraçado, de rir de si mesmo, de rir do ridículo, de ser ridículo para que outra pessoa possa sorrir.


           Até mais.